Espermograma

Espermograma: o que é e em quais momentos é indicado fazer

Quando um casal encontra dificuldades para engravidar após um ano de tentativas, sem o uso de qualquer método contraceptivo, é recomendado procurar ajuda médica especializada para uma investigação detalhada da fertilidade. Esse tempo deve ser esperado no caso em que a mulher tem até 35 anos. Para as mais velhas, as tentativas devem ocorrer, no máximo, por seis meses.

Quando o médico especialista em reprodução humana é consultado, ele geralmente solicita uma série de exames, tanto para o homem quanto para a mulher. Dentre os pedidos ao homem, o principal é o espermograma.

O que é o espermograma?  

O espermograma, ou análise seminal, é o melhor exame para a avaliação inicial da fertilidade do homem.

Por meio do espermograma, é possível avaliar:

  • Quantidade de espermatozoides produzidos: aspecto importante, pois há muita perda de espermatozoides no trajeto até a chegada ao óvulo;
  • Motilidade (movimentação) dos espermatozoides: fator de grande importância para que o trajeto seja percorrido de maneira adequada;
  • Morfologia ou formato do espermatozoide: capacidade de fecundação dos espermatozoides.

Para quem o espermograma é indicado?

O espermograma é indicado em diversas situações:

  • Investigação de infertilidade;
  • Varicocele (varizes de bolsa escrotal);
  • Após vasectomia;
  • Após reversão de vasectomia;
  • Doenças como orquite/epididimite/orquiepididimite (inflamação/infecção no testículo e/ou epidídimo);
  • Monitoramento de pacientes em uso de determinadas medicações (por exemplo, quimioterápicos);
  • Avaliação de estruturas envolvidas no sistema reprodutor masculino (próstata, vesículas seminais);
  • Ejaculação retrógrada (situação na qual o líquido seminal flui de modo retrógrado para dentro da bexiga);
  • Avaliação de risco ocupacional na área de radiologia;
  • Investigação de algumas doenças genéticas e/ou endócrinas, entre outras.

Como é feito o exame?  


A coleta do sêmen é realizada por masturbação e recomenda-se que o homem fique de três a cinco dias em abstinência sexual, embora diversos estudos já tenham demonstrado que a variação na concentração dos espermatozoides ou de sua motilidade e/ou forma varie pouco, se este período não for adequadamente seguido. Não é necessário jejum alimentar.

Além disso, a masturbação para a coleta não deve ser feita com o auxílio de lubrificantes, pois eles podem interferir no resultado do exame.

A coleta deve ser feita na clínica para evitar qualquer contaminação ou resultado alterado por má preservação e transporte do material. O paciente é orientado a urinar antes da coleta e fazer a higiene das mãos e do pênis com água e sabonete antes da obtenção da amostra.

O homem precisa ejacular em um recipiente próprio para a coleta desse material, o que evita que agentes externos interfiram na análise. Assim que a amostra é coletada, ela é encaminhada para análise.

O que é analisado no exame?  

A análise seminal avalia dois aspectos: microscópico e macroscópico. O aspecto microscópico analisa as condições dos espermatozoides. Já o macroscópico avalia o líquido seminal.

Na análise macroscópica, são analisados parâmetros como:

  • Cor e aspecto do sêmen: o tom normal deve ser branco opalescente. Amostras translúcidas podem apresentar baixas concentrações espermáticas e outras colorações encontradas frequentemente, como rósea, amarronzada ou esverdeada, podem indicar presença de células sanguíneas ou infecções;
  • Tempo de liquefação: menor que 60 minutos até a amostra se tornar líquida;
  • Volume total ejaculado: deve ser superior a 1,5 ml;
  • Viscosidade: avalia-se a maior ou menor viscosidade do sêmen. Disfunções nas glândulas acessórias podem ser a causa da alteração. Uma viscosidade aumentada pode interferir na avaliação de motilidade e concentração espermática;
  • pH: o pH é a medida da acidez de uma determinada substância. Quando o valor é menor que 7, trata-se de uma substância ácida; quando é maior que 7, trata-se de uma substância básica. O valor considerado normal deve ser maior ou igual a 7,2.

Na análise microscópica, os valores mínimos de normalidade[Autor des1]  são:

  • Concentração total de espermatozoides: superior a 15 milhões por ml. Quando há menos que isso, tem-se um quadro de oligozoospermia. Valores muito baixos, ou seja, menores que 5 milhões por ml, podem significar[Autor des2]  algum problema hormonal ou genético;
  • O número total de espermatozoides: deve ser superior a 39 milhões;
  • Motilidade total (somatória dos espermatozoides progressivos rápidos, progressivos lentos e não progressivos): deve ser superior a 40%. Com essa característica prejudicada, os espermatozoides enfrentarão uma maior dificuldade em chegar até o óvulo;
  • Motilidade progressiva (espermatozoides que se movem para a frente): superior a 32%;
  • Vitalidade: essa análise tem como objetivo descobrir a quantidade de espermatozoides vivos no sêmen, principalmente quando há taxas de motilidade inferiores a 40%, sendo o valor ideal acima de 58%;
  • Morfologia normal: o formato do espermatozoide também diz muito sobre a fertilidade masculina. Espermatozoides com morfologia alterada, dependendo do tipo de anomalia, apresentam menor capacidade de fertilização. Alterações morfológicas também estão relacionadas a alterações estruturais cromossômicas. Valor considerado adequado: menos[Autor des3]  de 4% de espermatozoides com alterações morfológicas[Autor des4] .

Entretanto, vale ressaltar que em 2021, estabeleceu-se novo padrão de avaliação do espermograma, em que se considera que homens que engravidam a parceira em até 1 ano de tentativa, tem em média volume de 3,7mL; concentração de 73 milhões/mL; concentração total 255 milhões; motilidade total 61%; motilidade progressiva 55%; morfologia normal maior ou igual a 15%. Atualmente, preconiza-se comparar a amostra do paciente a esses novos critérios, que são mais focados na fertilidade em si, e não em critérios mínimos de normalidade.

Dicionário reprodutivo do espermograma 

O diagnóstico de infertilidade é complexo e muitas vezes depende de outros exames. Contudo, a predição de fertilidade em um espermograma com resultado alterado com triplo distúrbio, ou seja, baixas concentrações de espermatozoides, diminuição no percentual de morfologia normal e diminuição no percentual de espermatozoides móveis, sugere probabilidade aumentada de infertilidade.

Na medicina reprodutiva existem nomenclaturas específicas para rotular a presença ou não de alterações. Conheça as principais alterações mencionadas ao final de um espermograma:

Hipospermia: volume de sêmen ejaculado abaixo de 1,5 ml.

Oligozoospermia: concentração de espermatozoides abaixo de 15 milhões/ml.

Para fins de tratamento, a oligozoospermia é subdividida em:

Astenozoospermia: motilidade progressiva espermática abaixo de 32%.

Necrozoospermia: porcentagem de espermatozoides vivos abaixo de 58%.

Leucocitospermia: alta concentração de leucócitos na amostra seminal.

Teratozoospermia: espermatozoides com formato perfeito abaixo de 4%.

Azoospermia: ausência de espermatozoides no sêmen ejaculado.

Criptozoospermia: após centrifugação de todo volume ejaculado, são encontrados raros espermatozoides.

Normozoospermia: paciente sem nenhuma alteração nos parâmetros acima.

Exames complementares

A partir da conclusão do exame, o médico poderá solicitar testes complementares ao espermograma. Entre os mais frequentes, estão:

Fragmentação de DNA: permite a identificação de áreas fragmentadas dentro do DNA espermático. Essa fragmentação, se alterada, pode levar a abortos de repetição, má qualidade do embrião ou a não gravidez.

Espermograma sob magnificação: o espermograma pode ser realizado por microscópios específicos que aumentam em até mil vezes a visualização do espermatozoide, daí o nome sob magnificação. Estes microscópios são normalmente utilizados para realizar a chamado super-ICSI (super injeção intracitoplasmática de espermatozoide). Através desta análise, são identificados outros parâmetros, sendo o principal deles a presença de vacúolos ou buracos dentro do espermatozoide que estão associados à piora da fertilização ou do sucesso reprodutivo. Nos casos de oligospermia severa, é interessante contar com este tipo de análise prévia, pois se pode recomendar a fertilização pela técnica da super-ICSI.

FISH: analisa alterações no número de cromossomos presentes nos espermatozoides, como as dissomias (quando existem alguns cromossomos a mais) ou as diploidias (duplicação de todos os cromossomos no espermatozoide).

Carga viral: utilizada para pacientes com sorologias alteradas, como HIV, Hepatite, HTLV, para que, no dia da fertilização, seja utilizado um sêmen testado previamente e livre de quaisquer contaminações. Este sêmen passa por um processo de centrifugação e lavagem, na qual é retirado todo o líquido seminal contaminado, restando apenas os espermatozoides. Uma vez comprovada a não infecção dos espermatozoides, eles já podem ser utilizados para a fertilização.


Com quanto tempo sai o resultado do espermograma?

Em geral, o resultado do exame fica pronto entre 24 e 48 horas.

O melhor lugar para fazer espermograma em São Paulo 

O espermograma é um exame considerado simples, mas fundamental para a investigação da infertilidade masculina. Assim, é recomendado que ele seja realizado em um laboratório com infraestrutura adequada, com equipamentos com alta tecnologia e equipe capacitada. Dessa forma, pode-se garantir um diagnóstico preciso e a melhor opção de tratamento.

O Centro de Reprodução Humana Santa Joana conta com uma grande equipe especializada no atendimento, pesquisa, prevenção e tratamento da infertilidade.

Com localização estratégica, a unidade possui instalações com os mais avançados recursos e excelente infraestrutura que garantem segurança e eficiência em todos os procedimentos realizados.

Um espermograma com resultado alterado não é sinônimo de que um homem não possa realizar o sonho de ser pai. Independentemente do resultado do exame, o ideal é buscar orientação médica para compreender quais são os próximos passos a serem adotados para realizar o sonho da gravidez. Existem tratamentos de reprodução assistida que podem tornar possível a paternidade.