A doação de óvulos é um procedimento que permite que mulheres que não conseguem engravidar com os seus próprios óvulos, seja pela ausência de ovulação ou pela qualidade desses gametas, possam realizar esse sonho com os óvulos saudáveis de outra mulher. Os óvulos são utilizados em tratamentos de fertilização in vitro (FIV), onde são fecundados em laboratório e inseridos no útero da mulher que está desejando uma gravidez.   Segundo as regras do Conselho Federal de Medicina (CFM), a ovodoação deve ser feita de maneira anônima, exceto na doação de óvulos entre parentes de até 4º grau de um dos receptores (1º grau = pais/filhos; 2º grau = avós/irmãos; 3º grau = tios/sobrinhos; 4º grau = primos). Além disso, o procedimento não deve ter caráter lucrativo.

A doação de óvulos pode ser feita de duas maneiras:

Voluntária: nesse caso, a doação é feita de modo altruísta, ou seja, uma mulher doa seus gametas apenas com o intuito de ajudar os casais, ou outras mulheres, que não conseguem engravidar com seus óvulos. A doadora se submete a um processo de estimulação ovariana e coleta dos óvulos. Os gametas coletados podem ter uso para gerar uma gravidez ou serem congelados por tempo indeterminado.

Compartilhada: na forma compartilhada, a doadora deve ser uma mulher que esteja em tratamento de reprodução humana assistida. Ela terá parte de seu tratamento custeado pela paciente que irá receber os óvulos em troca da doação de metade de seus gametas. No caso específico da doação compartilhada, ainda segundo as regras do CFM, a escolha das doadoras de óvulos é de responsabilidade do médico-assistente e da clínica.

O bebê nascido da doação de óvulos é considerado filho da mulher ou do casal que os recebeu, e não da que fez a doação.

Quem pode doar óvulos

No caso da doação voluntária:

· A mulher deve ter entre 18 e 37 anos;

· Residir próximo ou poder se deslocar até a clínica de reprodução regularmente;

· Ser saudável e não possuir nenhuma doença sexualmente transmissível ou doenças genéticas;

· Ter boa reserva ovariana, o que é atestado por meio de exames.

A mulher que deseja doar seus óvulos também deve passar por uma avaliação ginecológica completa que assegure a normalidade do aparelho reprodutor e por alguns exames de sangue para excluir doenças como hepatites B e C, HIV, sífilis, Zika vírus, clamídia, gonorreia e HTLV, além de realizar tipagem sanguínea e cariótipo (genética).

Também é recomendado que seja realizada uma avaliação psicológica, para se assegurar que a paciente realmente está tranquila e segura em relação à doação.

Além disso, a candidata a doadora deve preencher um questionário detalhado com características pessoais e médicas, incluindo informações sobre antecedentes e características familiares.

É recomendado que a doadora de óvulos tenha uma vida saudável, com hábitos que incluam o consumo de bastante líquido, dieta equilibrada, ter uma noite de sono reparadora, não fumar e evitar o consumo excessivo de bebidas alcoólicas.

A doadora deve evitar manter relações sexuais enquanto estiver tomando os medicamentos e até voltar a menstruar, depois da coleta.

Etapas da doação de óvulos

A mulher que deseja doar seus óvulos passará por um tratamento de estimulação ovariana. Durante 10 a 14 dias, ela deverá usar medicamentos injetáveis subcutâneos que estimulam o crescimento dos folículos, estruturas que abrigam os óvulos.

Durante este tempo, serão realizados exames de ultrassom a cada dois ou três dias, além de exames de sangue, para avaliar o desenvolvimento dos folículos e se o tratamento está tendo resultados.

Caso a evolução esteja de acordo com o esperado, a mulher receberá uma outra medicação hormonal que ajudará no amadurecimento dos óvulos. O passo seguinte é a coleta do material, que é feita em ambiente cirúrgico, com a mulher sedada, o que evita possíveis dores e desconfortos.

Durante a coleta dos óvulos, uma agulha acoplada a um ultrassom transvaginal é inserida na vagina da mulher. A agulha perfura o ovário chegando aos folículos e lá aspira um líquido que contém os óvulos.

Esse material é analisado, para que seja comprovada a qualidade dos óvulos. Em seguida, eles podem ser utilizados para fertilização ou serem congelados.

O processo dura entre 20 e 30 minutos. Depois, a paciente deve permanecer em recuperação até que passe o efeito da anestesia e permanecer o restante do dia em repouso.

Há riscos na doação de óvulos?

Os riscos para a mulher que doa seus óvulos são mínimos. Podem ocorrer dor de cabeça durante o estímulo hormonal, dor no local da aplicação do medicamento, desconforto abdominal, mudanças de humor e aumento do apetite.

Em casos mais raros pode ocorrer a chamada síndrome de hiperestimulação ovariana, que leva a uma maior retenção de líquidos, com consequente aumento do peso (entre um e três quilos) e desconforto abdominal.

Também é válido destacar que doar óvulos não afeta a fertilidade no futuro, pois os óvulos aspirados em um tratamento de ovodoação, seriam perdidos naquele respectivo mês, o que acontece a cada ciclo menstrual quando os óvulos não são fecundados.

Toda mulher nasce com uma quantidade determinada de óvulos – entre 500 mil e um milhão. A partir do nascimento, ela vai perdendo esses óvulos, antes mesmo de chegar à puberdade. Quando tem início sua fase reprodutiva, a cada ciclo normal vários óvulos iniciam seu crescimento, porém, durante a ovulação, apenas um folículo terá alcançado o crescimento suficiente para se tornar óvulo.

Com o tratamento de estimulação ovariana para a doação de óvulos, é possível conseguir que vários óvulos alcancem o tamanho adequado para amadurecer sem que isso afete o total de óvulos que serão liberados para a ovulação no futuro.

Como fazer a doação de óvulos

A mulher que tem interesse em fazer uma doação voluntária deve procurar uma clínica especializada em reprodução humana ou hospitais que realizem tratamentos com óvulos doados. Assim, a doadora tem acompanhamento personalizado, prevenindo e evitando qualquer desconforto ou eventual problema.

Não existe um número máximo de vezes que a mulher pode fazer a doação.

A mulher que deseja fazer ovodoação tem nas mãos o poder de colaborar com outros casais, homens e mulheres que têm o sonho de ter um filho, mas, infelizmente, não podem fazê-lo com óvulos próprios. Se você tem essa vontade, procure uma clínica de reprodução assistida.