Você sabia que a mulher não produz nenhum óvulo no decorrer da sua vida? Todas nós nascemos com um número definido de gametas – cerca de 2 milhões. Na primeira menstruação, esse número cai para 400 mil e, a partir daí, a cada ciclo, ele vai diminuindo. Estima-se que, por volta dos 35 anos, uma mulher tenha cerca de 25 mil óvulos. Depois dessa idade, há uma redução drástica na quantidade de gametas que a mulher ainda possui, e esse número vai decaindo ano a ano. Isso significa que, com o passar do tempo, e o consequente aumento da idade, as chances de engravidar de maneira natural vão se tornando cada vez menores.

É importante saber que, além de haver essa diminuição na quantidade de óvulos, os gametas femininos também vão envelhecendo, assim como ocorre com todo o organismo. Os óvulos, em especial, enquanto não são ativados pelos ovários, para que ocorra a ovulação, vão perdendo sua qualidade.

As chances de uma gravidez natural variam de acordo com a faixa etária da mulher:

  • Até os 20 anos, essa chance é de 25% por mês;
  • Dos 21 aos 30 anos, cai para 20%;
  • Entre 31 e 35 anos, a porcentagem é de 15%;
  • Dos 36 aos 39 anos, cai para 10%;
  • Dos 40 aos 44 anos, 5%;
  • 45 anos ou mais: as chances não chegam a 3%.

O ideal é que a mulher tente engravidar, no máximo, até os 35 anos. Isso significa que não existem chances de você ter um filho depois dessa idade, se você quiser, ou precisar? De jeito nenhum. Hoje, muitas mulheres que desejam ter filhos mais tarde buscam o tratamento de congelamento de óvulos.

O que é o congelamento de óvulos?

O congelamento de óvulos é um tratamento de reprodução humana que consiste em um processo de estimulação, coleta e resfriamento que conserva as células reprodutivas femininas para que possam ser usadas no futuro. Esses óvulos ficam armazenados, por tempo indeterminado, em tanques de nitrogênio líquido a 196 graus negativos. Com isso, a qualidade dos óvulos é mantida até que a mulher decida pelo momento certo de engravidar.

Quando o congelamento de óvulos é indicado?

O congelamento de óvulos está indicado nos seguintes casos:

  • Mulheres que desejam priorizar suas carreiras ou estudos antes de terem filhos;
  • Mulheres que ainda não encontraram um parceiro com quem desejam ter um filho;
  • Mulheres com problemas no aparelho reprodutivo, que exigem a retirada dos ovários, ou com baixa reserva ovariana;
  • Mulheres com histórico de menopausa precoce na família;
  • Mulheres que precisarão se submeter a um tratamento oncológico que pode levar à infertilidade.

O ideal é que o congelamento seja realizado o mais cedo possível, pois isso garante uma melhor qualidade dos óvulos coletados e aumenta as chances de uma gravidez no futuro. Assim, recomenda-se que o tratamento seja realizado até os 35 anos, quando as taxas de gravidez são melhores, mas também pode ser realizado em qualquer idade, sendo que ótimos resultados são ainda atingidos até os 38 anos.

Isso não significa que não seja possível o congelamento após esta idade, mas há o risco de as chances de uma gestação serem menores.

Como o congelamento de óvulos é feito?

O tratamento de congelamento de óvulos é realizado em quatro etapas:

1. Preparo

Antes do procedimento, a paciente é submetida a uma série de exames para avaliar sua saúde e reserva ovariana.

2. Indução da ovulação

São administrados medicamentos hormonais, por via oral ou injetável, para estimular os ovários para que vários folículos cresçam, produzindo assim um maior número de óvulos em um só ciclo, aumentando as possibilidades de êxito de uma gestação. Para acompanhar o desenvolvimento folicular, são realizados exames de ultrassonografia – cerca de três a quatro – e de sangue.

3. Coleta dos óvulos

Quando os folículos atingem o tamanho ideal, uma nova medicação é administrada para que os óvulos amadureçam. Após 34 a 36 horas da administração do medicamento, a coleta é agendada. A coleta dos óvulos é realizada em torno do 12º dia após o início do estímulo. A paciente recebe uma anestesia simples chamada sedação e, por meio de uma agulha acoplada a um ultrassom endovaginal, os óvulos são coletados.

4. Congelamento

Após a captação, o embriologista avalia todos os óvulos captados e aqueles que estão maduros, ou seja, prontos para serem fecundados, são congelados.

Quando a mulher decide que é o momento certo para engravidar, os óvulos são descongelados para serem fertilizados pelo sêmen do parceiro ou de um doador pelo tratamento de fertilização in vitro (FIV).

O congelamento de óvulos não é garantia de gestação no futuro. O sucesso do tratamento depende de uma série de fatores, como:

  • Idade que a paciente tinha quando os óvulos foram congelados, já que, quanto mais nova, maior a quantidade e melhor a qualidade dos óvulos;
  • Quantidade de óvulos que sobreviverão ao descongelamento (a taxa costuma ser de 85% a 95%);
  • Idade que a mulher terá ao realizar o tratamento de fertilização in vitro para dar prosseguimento à gestação.

No entanto, se uma mulher congelar os óvulos aos 35 anos, mesmo que ela venha a descongelar seus óvulos e engravidar aos 40 anos, a chance de gravidez permanece a mesma que a de uma mulher de 35 anos, ou seja, em torno de 60% por tentativa de tratamento, e não de 30%, porcentagem que se refere às chances de gravidez de uma mulher de 40 anos que realiza a fertilização in vitro.

Se, no decorrer dos anos, a mulher decidir que não deseja engravidar, ela pode doar seus óvulos para outras mulheres que estão tentando realizar o sonho da maternidade, mas que estão encontrando dificuldades.

Opções para a mulher que deseja engravidar mais tardiamente, mas que não quer congelar seus óvulos

Como vimos, quanto mais a idade avança, mais vai se tornando difícil que uma gestação ocorra de maneira natural. É preciso lembrar que uma gravidez tardia traz alguns riscos para a mulher e o bebê.

Para aquelas que desejam engravidar após os 35 anos, o primeiro passo é realizar um check-up pré-concepção para que sejam averiguadas as condições de saúde geral e, principalmente, do sistema reprodutivo, além de serem transmitidas informações importantes sobre mudanças no estilo de vida e os riscos que envolvem uma gravidez tardia.

Caso a gestação natural não se concretize, é recomendado procurar um especialista em reprodução assistida. Existem tratamentos que podem ajudar a mulher ou o casal que optou por engravidar mais tardiamente.

Para as mulheres que já não possuem óvulos saudáveis para serem fertilizados, há a opção da ovodoação, ou seja, de uma gestação por óvulos doados, seja de uma parente ou de um banco de óvulos.

A tendência é que cada vez seja maior o número de mulheres que optam por engravidar depois dos 38 anos. Para essas, os tratamentos de reprodução assistida são uma opção segura e que aumenta as chances de sucesso. No Centro de Reprodução Humana Santa Joana você conta com profissionais qualificados e experientes nas mais diversas técnicas e com uma infraestrutura adequada para a realização de exames e procedimentos.